quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Ter foco

Hoje tenho muitas coisas para fazer como escrever meu artigo, preparar portfólio da empresa, estudar psicologia, ir à formatura de meu sobrinho... São tantas coisas que eu me desencontro ao procurar por qual começar! Mas essa queixa me trouxe uma parábola interessante que fala sobre essa paranóia em abraçar o mundo, ser multi-funcional. Isso me lembra a história do mestre que perguntou aos discípulos se eles preferiam ser águias ou patos e eles perguntaram: qual a diferença? O mestre respondeu: o pato nada, anda e voa e a águia só voa. Os discípulos responderam: “Prefiro ser pato!”. E o mestre disse: Só que o pato nada mal, anda mal e voa mal!
_ Vocês preferem ser águia ou pato? - perguntou o mestre aos seus discípulos.
_ Prefiro ser águia - disse um deles.
O outro discípulo franziu o cenho e perguntou:
_ Mestre, qual a diferença entre ser pato ou águia?
_ O pato nada, anda e voa e a águia só voa. - disse o mestre em tom irônico.
_ Prefiro ser pato! - meio que de súbito o discípulo tentando se consertar da resposta anterior.
E o mestre disse:
_ Só que o pato nada mal, anda mal e voa mal!

Pois é, vejo que ser águia é ter foco, ser laser, fazendo as coisas compenetradamente.
Nessas horas uma agenda me seria bastante útil...

*Tentando ser águia!


terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Amor: senti-lo, somente, não basta.


O Amor... Esse é um sentimento que vem na forma humana. Reflete nos olhos do outro. Uma reação instantânea, combustão.
Só sentir ou procurá-lo primeiro em si assim, dentro de nós, é utopia. Tem que haver o reflexo! O Par é de dois.
Há quem acredite no amor e é feliz.
Há quem não acredite no amor e é infeliz.
E há quem o aceita em falar, mas o reprime no peito. Esse é triste. Engana a si mesmo! Afoga-se em seu orgulho, um soberbo-amor.

O Amor.. Este não é somente sentimento (romantismo medieval) é, antes de tudo, situação, estado, ação, pensamento, desejo, transpiração, fato com conhecimento de causa. Provoca reconstruções, evoluções, quedas e proclamações, revoltas. Assume riscos. Provoca saudades mínimas (mas são sempre saudades doídas) e é razão. O amor é escravidão onde ser livre é um defeito.

O Amor... Sucesso de bilheteria! Mais vil que inocente. Incoerente: como ser partidário da paz se ele causa revoltas sucessivas? Como ser partidário do bem se para tê-lo (na pessoa) devemos competir com todas as armas? Paradoxos... A vida é um manguezal, onde amar é saneamento básico!

O Amor... Se fosse figura seria um espelho: quem o quer deve se colocar a sua frente. Saber que é + saber o que quer = ser gente. Confirmado, então, ver-se em dois _ um conhecido e outro na figura do ser amado. É paciência sem especulação! Amar exige o presente, nunca projeção _ o futuro é prático, é o mesmo instante do beijo.

Amar... Delito, crime perfeito, pecado e castigo. Doce veneno. É pele, fruta, dinheiro, olhar e sorriso _ sorriso no olhar. O Amor... Não é comprar uma obra de arte. É criar a obra e arte e ser esposição permanente!

sábado, 8 de janeiro de 2011

Amor e individualidade: sem frações, são dois inteiros!

A civilização ocidental está acostumada a divinizar seus sentimentos. Deuses insensatos que congelam nossos comportamentos por sabermos que eles estão atrelados ao julgamento da sociedade. Bem, o amor em superlativo grau é uma invenção nossa, mas como um "cientista maluco" devemos ter cuidado com nossas invenções. Abaixo segue um texto do Psiquiatra Flávio Gikovate que muito entende do assunto, mas possui uma postura pouco romântica do que seja um relacionamento amoroso saudável. Confira.

Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o inicio deste milênio. As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor.

O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.

A idéia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos. Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características, para se amalgamar ao projeto masculino. A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei.

Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma idéia prática de sobrevivência, e pouco romântica, por sinal.

A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade, pelo amor de desejo.

Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente.
Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas. Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração. Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um companheiro de viagem.

O homem é um animal que vai mudando o mundo, e depois tem de ir se reciclando, para se adaptar ao mundo que fabricou. Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral. A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado.

Visa a aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade..
Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva. A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem. Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado. Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém.

Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto. Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal.

Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não à partir do outro. Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.
O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação,há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado. Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo...

No meu jeito particular de ver os relacionamentos sempre os encarava como sendo uma rosa: o muco e seus espinhos. Bem, nova forma de amar, tudo bem, porém há nova forma de evitar ciúmes e barulheiras tão humanas? Bem, façamos mais teorizações... Mas não esqueçamos de expressar nossos desejos.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Uma estrela cadente que resolveu voltar pro Céu

Catarina, garota doce de apenas 16 anos, lutava contra uma doença rara, mas empenhou o papel que somente os heróis desempenham. Uma heroína se faz não com super poderes, mas pela postura que assume, sempre reta: sabe o que dizer; permite-se espalhar alegria mesmo que seja na dor.
No dia 31 de janeiro de 2010 foi o fim? Eu diria que não. Sabe aquele passo que esboçamos, levantando nosso pé e, bem perto do chão, na iminência de sentir a pressão dos pés contra o chão, resistimos e voltamos atrás? Não o damos. Mas por quê? Bem, quem sabe seria por covardia. Porém, no caso de Cacá pode-se dizer que foi pura ousadia. Não a acompanhei nem por um dia, mas para uma criança de sua idade senti que o sofrimento não a importunava. Na certa evitava que o propagasse pelo espaço. A sua luta não foi em vão, fez nascer um movimento que deixou de ser tímido, ganhou corpo, cresceu na sua aparente derrota. Vejo você como a guerra dos martis: quando cai, alguém é sustentado; quando grita, muitos ou ao menos um é guardado em tranqüilo tratamento; quando sujo, outro é limpo; quando faminto, outro ganha comida e aposento; quando sofre de dor, outro tem suas feridas tratadas; quando percebe que a morte está próxima, outro sorri com a esperança renovada, pois a luta está construindo pontes. Você se foi e deixou um sentido muito maior que o de perda: o de ganho! Eu te acompanhei em comentários, em escritos em blogs, vi seu tratamento. Lembro que a vida é um livro em branco, cada dia uma página. Mas há quem pense que seja um livro escrito, suas páginas estão empoeirados e a cada virada de página/dia passa-se o dedo indicador suavemente tracejando suas linhas, descortinando a ação. Se escreveu agora ou se já constava lá sua vida, disso eu não sei... Mas sua vida teve um capítulo tão belo e importante por imprimir aos que mais precisam e venham a precisar de um tratamento semelhante uma esperança, deu fôlego aos que precisam e aos que se prestam a ajudá-los. Foi um capítulo lindo que está sem o punho da autora, mas que merece por outros uma biografia, aquela continuação dentro dos ganhos já obtidos, mas observando os próximos _ esse é o sentimento.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Há males para o bem

O mundo é competitivo. Realidades que fogem de nosso controle com facilidade sugem ao montes. Porém, como inteligentes devemos nos condicionar a enfrentar tais situações e imprimir um ritmo que confronte os obstáculos, pelo menos o mais dificil e impiedoso que há: a acomodação.

Muitas vezes nos acomodamos com uma situação dificil, que exija uma postura aversiva, de enfrentamento e não entendemos que podemos sair dela tendo tal atitude e ação. Mas fica evidente que somos impelidos a esperar sofridamente por algo maior, problema mais sério para que, assim, possamos encontrar uma justificativa desesperadora, é a incrível acomodação que espalha suas consequências negativas.

Saber que teremos dificuldades maiores ao invés de enfrentar os atuais de frente desperta uma falsa paciência, uma preguiça escamoteada pela ilusão sabida de esperar o mal passar. Que nada! O tempo muda o estado das coisas quase que sempre como a Lei de Murphy prevê. Portanto, veja essa fábula e encontre a vaquinha que possa estar dando um retorno duvidoso.

Era uma vez, numa terra distante, um sábio chinês e seu discí­pulo. Certo dia, em suas andanças, avistaram ao longe um casebre. Ao se aproximar, notaram que, a despeito da extrema pobreza do lugar, a casinha era habitada. Naquela área desolada, sem plantações nem árvores, viviam um homem, uma mulher, seus três filhos pequenos e uma vaquinha magra e cansada. Com fome e sede, o sábio e o discí­pulo pediram abrigo por algumas horas. Foram bem recebidos. A certa altura, enquanto se alimentava, o sábio perguntou:

- Este é um lugar muito pobre, longe de tudo. Como vocês sobrevivem?

- O senhor vê aquela vaca? Dela tiramos todo o nosso sustento – disse o chefe da famí­lia. – Ela nos dá leite, que bebemos e também transformamos em queijo e coalhada. Quando sobra, vamos à cidade e trocamos o leite e o queijo por outros alimentos. É assim que vivemos.

O sábio agradeceu a hospitalidade e partiu. Nem bem fez a primeira curva da estrada, disse ao discí­pulo:

- Volte lá, pegue a vaquinha, leve-a ao precipí­cio ali em frente e atire-a lá pra baixo.

O discí­pulo não acreditou.

- Não posso fazer isso, mestre! Como pode ser tão ingrato? A vaquinha é tudo o que eles têm. Se eu jogá-la no precipí­cio, eles não terão como sobreviver. Sem a vaca, eles morrem!

O sábio, como convém aos sábios chineses, apenas respirou fundo e repetiu a ordem:

- Vá lá e empurre a vaca no precipí­cio.

Indignado porém resignado, o discí­pulo voltou ao casebre e, sorrateiramente, conduziu o animal até a beira do abismo e a empurrou. A vaca, previsivelmente, estatelou-se lá embaixo.

Alguns anos se passaram e durante esse tempo o remorso nunca abandonou o discí­pulo. Num certo dia de primavera, moí­do pela culpa, abandonou o sábio e decidiu voltar àquele lugar. Queria ver o que tinha acontecido com a famí­lia, ajudá-la, pedir desculpas, reparar seu erro de alguma maneira. Ao fazer a curva da estrada, não acreditou no que seus olhos viram. No lugar do casebre desmazelado havia um sí­tio maravilhoso, com muitas árvores, piscina, carro importado na garagem, antena parabólica. Perto da churrasqueira, estavam três adolescentes robustos, comemorando com os pais a conquista do primeiro milhão de dólares. O coração do discí­pulo gelou. O que teria acontecido com a famí­lia? Decerto, vencidos pela fome, foram obrigados a vender o terreno e ir embora. Nesse momento, pensou o aprendiz, devem estar mendigando em alguma cidade. Aproximou-se, então, do caseiro e perguntou se ele sabia o paradeiro da famí­lia que havia morado lá há alguns anos.

- Claro que sei. Você está olhando para ela – disse o caseiro, apontando as pessoas ao redor da churrasqueira.

Incrédulo, o discí­pulo afastou o portão, deu alguns passos e, chegando perto da piscina, reconheceu o mesmo homem de antes, só que mais forte e altivo, a mulher mais feliz, as crianças, que haviam se tornado adolescentes saudáveis. Espantado, dirigiu-se ao homem e disse:

- Mas o que aconteceu? Eu estive aqui com meu mestre uns anos atrás e este era um lugar miserável, não havia nada. O que o senhor fez para melhorar tanto de vida em tão pouco tempo?

O homem olhou para o discí­pulo, sorriu e respondeu:

- Nós tí­nhamos uma vaquinha, de onde tirávamos nosso sustento. Era tudo o que possuí­amos, mas um dia ela caiu no precipí­cio e morreu. Para sobreviver, tivemos que fazer outras coisas, desenvolver habilidades que nem sabí­amos que tí­nhamos. E foi assim, buscando novas soluções, que hoje estamos muito melhor que antes.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Que número lhe caberia?



Já comparei a vida como uma casa de infortúnios embaraços, mas hoje, ao fazer meu exercício matinal (vício), encarei as lacunas apresentadas do sudoku como sendo reflexos em tantos setores da vida. Que número me caberia? E se removesse o nove para caber ali um modesto seis? Seria ruim, tanto assim se realmente mudanças fossem desempenhadas mesmo por pretextos tão nobres? Ou causaria um "efeito borboleta"?
Às vezes vejo que seria muito bom voltar ao passado (ao futuro seria mais fictício ainda!) para fazer mudanças, correções e/ou reviver propositadamente aquelas boas situações, sabe. Tentaria ou mudar a natureza de argumentos ou mesmo a intensidade daqueles momentos sem interferir em sua natureza porque foi simplesmente bom. De um abraço brando para um muito mais intenso; um olhar acompanhado de um sorriso tímido por outro olhar mais penetrante e demorado, aquele sedutor e irredutível como se fosse por uma questão de vida ou morte; falar com mais doçura e degustar a situação fazendo um convite pelo compromisso de lhe dar companhia... Enfim, tudo seria possível, mas, infelizmente, assim como a matemática de sudoku, o tempo tem seus encaixes sistemáticos que não faz aberturas para remoções quaisquer que sejam. Uma "peça", que seja, está desempenhando papel preponderante no resultado geral, não importando seu peso, cor ou intenção. Seja como for, aprendi que até mesmo um olhar faz encaixar-se sem qualquer pedido de licença, assim como a flecha atirada que não volta e a palavra pronunciada, é uma oportunidade vivida!

sábado, 4 de dezembro de 2010

À deriva em pleno sábado.

O Mundo é Um Moinho
Cartola

Ainda é cedo, amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

Preste atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és


Ouça-me bem, amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho.
Vai reduzir as ilusões a pó


Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com os teus pés.


Certas canções mesmo pela mansidão da melodia, dos toques ao violão, da sugerstão da fala e da respiração do poeta, executam um reboliço maior, um comportamento avesso e intencional de quem as aceita.



Viva Cartola !